"Prólogo"
E mais uma noite de chuva, nublada e fria. Eram três da manhã e nem todos os travesseiros possíveis podiam "diminuir o volume" daquela música alta.
Desde que a Sra. Thomas se mudou, meus novos vizinhos me fizeram dormir em aulas, chegar atrasada e tirar notas baixas. Tudo por causa das malditas festas, todos os dias.
Me levantei e coloquei meu cardigan azul, um par de botas e fui até a sala, peguei um guarda-chuva e saí de casa.
O vento poderia me levar embora, a chuva poderia causar uma enchente, mas não, eles tinham que dar uma festa hoje.
Cheguei até a porta dos mesmos e toquei a campainha. Nada. Toquei mais cinco vezes até que alguém atende. Um garoto de cabelos ondulados, segurando um copo com whisky.
Você: Vocês poderiam abaixar o som dessa música por favor?
xxx: A desculpe, não podemos. -Ele ia fechar a porta na minha cara.
Você: Ei! Por favor!
xxx: Não! Agora caia fora daqui! -Disse e bateu a porta na minha cara. É, ele estava bêbado.
Passei as mãos na cabeça e fui em direção a minha casa, entrei e tentei dormir, mais uma tentativa não sucedida.
[...] Acordei com a campainha tocando. É, parece que consegui dormir duas horas, como normalmente.
Levantei e olhei minha cara no espelho, olhos mais vermelhos que cereja, olheiras mais pretas que café, o de sempre. Nem a maquiagem conseguia consertar essa imperfeição.
Desci as escadas correndo e abri a porta, era um garoto loiro, com cabelos bagunçados e baixo.
Você: Oi? -Disse passando as mãos nos cabelos.
Ele: Ér.... Oi, eu sou Connor, seu vizinho... parece que você não dormiu bem né?
Você: É, eu até pedi para vocês abaixarem o volume mas um garoto grosso e bêbado bateu a porta na minha cara.
Connor: É, sobre ele... Digamos que ele não está nada bem hoje, e acabaram nossos remédios para dor de cabeça, você tem?
Você: Não sei. Devo ter, vou procurar e eu levo para vocês tudo bem?
Connor: Ah claro, obrigado.
Você: De nada. -Disse fechando a porta. Eu normalmente não iria até a casa de outra pessoa levar um remédio, mas, se for para rir da cara do tal garoto, eu topo.
Fui até a cozinha e abri o armário, peguei uma caixa cheia de remédios e procurei um para dor de cabeça.
Achei um e deixei em cima do balcão.
Subi até meu quarto e me troquei (###), consegui cobrir as imperfeições de meu rosto e fui até a casa deles.
Toquei a campainha e alguém gritou "Entra". Abri a porta e vi que a casa estava uma bagunça, deveria ser assim todos os dias. Connor apareceu no topo das escadas e fez um gesto para mim subir, assim eu fiz.
Andei até o terceiro quarto à esquerda, lá estava aquele garoto de cabelos cacheados, deitado na cama com a mão na cabeça.
Ele: Finalmente!
Você: Eu dou, com uma condição.
Ele: Ah, por favor -Disse sendo sarcástico.
Você: Parem de fazer festas todos os dias!
Ele: Não! Agora me dá. -Disse se levantando e tentando pegar o pacote com os comprimidos, mas eu desviei.
Você: Então sofra sozinho. -Disse fingindo que ia ir em bora.
Ele: Idiota.-Murmurou.
Você: O que?! -O encarei.
Ele: Você fica fazendo chantagem! O que custa me dar a droga do remédio logo?!
Você: Custa a minha vida! As minhas notas e o meu sono! -Disse sendo sínica- E olhe para você! Acha que os remédios para dor de cabeça vão ser úteis no futuro? Você acha que desse jeito você vai durar muito? Me poupe!- Disse jogando os remédios ao seu lado- Quer saber? Fica com isso!- Disse e fui embora.
Continua....


